Por Khaled Abu Toameh
A
oportunidade de aprender sobre direitos humanos tem sido negada às crianças de
escolas primárias palestinas na Faixa de Gaza, depois que o governo do Hamas
declarou que tal disciplina “contraria perigosamente a cultura palestina e
Islâmica”.
A declaração do Hamas veio em resposta
à tentativa da United Nations Relief and Works Agency (UNRWA) em
incluir um curso sobre direitos humanos nas escolas administradas pela agência
na Faixa de Gaza.
A UNRWA tem sido fortemente condenada
pelo governo Hamas, cujos representantes acusam a agência internacional de
tentar fazer [que ironia!] uma “lavagem mental” nas crianças Palestinas.
Mutasame al-Minawi, oficial veterano no
Ministério da Educação do governo do Hamas, explica que a principal razão porque
seu governo se opôs ao ensino dos direitos humanos nas escolas
palestinas é que essa disciplina “ignora a nakba [catástrofe] do povo
palestino, nega-lhes o direito de retorno [para Israel] dos refugiados palestinos e
promove a cultura de resistência pacífica e de submissão como um caminho para
restaurar nossos direitos.”
Al-Minawi disse que, dois anos atrás, a
UNRWA propôs incluir nos currículos de suas escolas a disciplina de direitos
humanos, que seria ensinada a
crianças do 7º ao 9º ano.
De acordo com o oficial do Hamas, seu
governo, à época, expressou reservas quanto a alguns conteúdos da disciplina,
exigindo que a UNRWA reformulasse 40% do material.
Mas, recentemente, a UNRWA decidiu ir
em frente com seus planos de ensinar os direitos humanos nas escolas da Faixa
de Gaza, ignorando os avisos do governo do Hamas, al-Minawi protestou. “A
UNRWA está agindo como sendo um Estado dentro de outro Estado”, disse ele.
“Eles têm que saber os limites de seu poder e que eles estão comprometidos com
o currículo ensinado nas áreas sob jurisdição da UNRWA.”
O oficial do Hamas disse que o curso de
direitos humanos da UNRWA foi criado para desenvolver nas crianças palestinas
“sentimentos negativos com relação à resistência armada, mesmo ela sendo
legítima para um povo sob ocupação.”
O que também tem preocupado o Hamas é
que a UNRWA procura ensinar às crianças palestinas sobre as repercussões
desastrosas das guerras e da violência, mostrando uma criança queimando um
uniforme militar. “Isto não serve à causa dos direitos humanos”, disse o
oficial do Hamas. “Eles querem criar crianças passivas”.
Os protestos do Hamas forçaram a UNRWA
a suspender seu plano de ensinar a disciplina de direitos humanos em suas
escolas. Alguns palestinos criticaram a UNRWA por “sucumbir” às ameaças do
Hamas, enquanto outros disseram que tinham a consciência de que a agência
internacional não tinha escolha a não ser cumprir.
Em uma tentativa de acalmar o Hamas, a
UNRWA negou que o currículo de suas escolas contrariavam a tradição
e cultura palestina. Um porta-voz da UNRWA disse que sua agência considerou
“todos os aspectos da sociedade palestina” em seu curso de direitos humanos.
O verdadeiro problema do Hamas com o
currículo da UNRWA consiste no fato de que ele pode estragar os esforços do
movimento Islâmico de instigar os corações e mentes das crianças palestinas à
guerra santa (jihad) contra os “inimigos” do Islam. O Hamas quer que as
crianças palestinas sejam ensinadas a se tornarem homens-bomba e procurar a
morte de judeus e “infiéis”.
O Hamas não quer que as crianças
palestinas aprendam sobre os heróis dos direitos sociais, como Mahatma Gandhi,
Nelson Mandela, Martin Luther King e Rosa Parks. Essas pessoas se opuseram à
violência e, portanto, à sua ideologia. De acordo com o Hamas, isto é uma
violação da cultura palestina e Islâmica.
O desejo do Hamas é que as crianças
glorifiquem homens-bomba e terroristas que, sem misericórdia matam pessoas
inocentes, incluindo muitos mulçumanos, diariamente. Os Summer Camps (colônias
de férias) do Hamas não são outra coisa que local de treinamento de crianças no
uso de armas e na instilação do ódio contra Israel e os Estados Unidos.
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"Nós nunca reconheceremos Israel!" Crianças palestinas em uma colônia de férias do Hamas, em junho de 2013. |
Khader também criticou facções publicas
e políticas por falhar em dar a necessária atenção à controvérsia entre o Hamas
e a UNRWA, sobre o assunto do currículo escolar.
Por enquanto, parece que o Hamas está
tendo sucesso em impedir a UNRWA de ensinar as crianças palestinas sobre
direitos humanos. Os dois lados estão negociando um fim para a crise, que não
parece provável, a menos que a UNRWA junte-se oficialmente à ideologia do Hamas
e comece a pregar a jihad e o anti-semitismo.
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