quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O que é educação?



A educação tem feito parte do desenvolvimento da humanidade desde seus primórdios. Em princípio informal, sendo ministrada nas interações do dia a dia, geralmente pelos pais e anciãos, constituindo-se na aquisição de valores éticos, morais e religiosos para um convívio harmônico em sociedade, bem como conhecimentos práticos para a sobrevivência. 

Paulatinamente adquiriu características mais formais, passando a ser ministrada em espaços hoje denominados escolas. Com isto perdeu muito de sua essência, sendo uma das razões para o fenômeno da aversão natural que os alunos têm a esse ambiente educativo. 

No entanto, ambas as modalidades continuam caminhando lado a lado. É esta temática que o livro de Brandão (1994), aqui brevemente resenhado, intitulado O que é educação? aborda, trazendo reflexões ainda atuais, apesar do tempo passado.

O livro tem seu conteúdo distribuído em dez capítulos intitulados: 1) “Educação? Educações: aprender com o índio”; 2) Quando a escola é a aldeia; 3) Então, surge a escola; 4) Pedagogos, mestres-escola e sofistas; 5) A educação que Roma fez, e o que ela ensina; 6) Educação: isto e aquilo, e o contrário de tudo; 7) Pessoas versus sociedade: um dilema que oculta outros; 8) Sociedade contra Estado: classe e educação; 9) A esperança na educação; 10) Indicação de leituras complementares. 

Ninguém escapa do processo educacional, pois a educação (ou educações) permeia todos os ambientes ocupados pelo ser humano. E, como são diversos ambientes, culturas e os próprios homens, a educação se adéqua às necessidades desses grupos humanos.

Brandão discute também dois vieses importantes: o poder e a fraqueza da educação. No primeiro a educação está a serviço da construção dos tipos de sociedade levando em conta, ou melhor, solidificando suas crenças, idéias, qualificações e especialidades. Na segunda ela se torna instrumento de dominação quando o professor, na maioria das vezes inconsciente, dissemina ideias e interesses políticos.

Para Brandão, a educação independe de um modelo de ensino formal e centralizado, acontece espontaneamente. Tomando o processo educativo das aldeias como referencial, ele introduz algumas ideias, tais como:

1. Só acontece a educação em um ambiente humano de trocas; 
2. Há intencionalidade, ou seja, ela sempre visa a algum fim, sobretudo a moldar o homem para viver em sua sociedade; 
3. situações de aprendizagem onde se aprende pela observação e execução de atividades vitais, tais como caça, pesca, fabrico de armas e utensílios, etc. 

Nesse ambiente não há imposição, o aluno busca o mestre que são os adultos experientes. Existem situações pedagógicas interpessoais familiares e comunitárias. A esse processo global chama de “socialização” através do qual as pessoas adquirem sua identidade cultural; ao processo de aquisição pessoal desses valores dá o nome de endoculturação.

Ao introduzir a ideia de “educação escolar”, ele explica que esta se contrapõe àquela educação comunitária da aldeia, na qual todos os ambientes naturais criavam situações pedagógicas. Entra em cena um novo espaço para o aprendizado chamado escola. Nessa nova situação a oferta do saber é desigual, pois visa a atender as demandas de uma divisão social do trabalho entre classes desiguais, em que pessoas “diferentes” recebem “educações diferentes”, e uns poucos são ensinados a pensar como senhores e os demais como escravos.

Fazendo uma incursão ao passado, o autor traz para o seu universo de argumentação o modelo grego de educação. Esta é apresentada com uma dupla característica: 

1) O ensino para o “fazer”, denominado tecne, relegado a trabalhadores manuais, livres ou escravos; e, 
2) O ensino para o “viver”, denominado “teoria”, destinado a formação do homem para a participação plena da polis, a este segundo tipo de educação eles chamavam paideia. 

Três categorias de educadores de grande importância nesse processo educativo foram: Os mestres-escola, que lecionavam as primeiras letras e contas em “lojas de ensinar”, que começaram a aparecer em torno de 600 a. C., que atendiam a crianças livres plebéias e livres nobres. Os pedagogos, que eram escravos encarregados de conduzirem as crianças à escola e, por conviverem com elas, eram seus principais educadores. Só a partir de Sócrates a educação passa a ser pensada como formadora do espírito. 

Com os filósofos sofistas a educação começou a ser "democratizada", no sentido em que quem tivesse como pagar poderia ter acesso. Essa educação oferecida pelos sofistas dava ênfase à oratória e a legislação visando a um “preparo do homem para o exercício da cidadania”. Os gregos usavam a escola como um artifício para que aqueles que estivessem longe da pátria por causa das guerras de conquista não perdessem sua própria cultura por causa da influência da cultura dos povos dominados.

São discutidos pontos convergentes entre o tipo de educação praticado por Roma e o praticado pela Grécia, aquela recebendo forte influência desta. Apresenta o início da escola pública em um modelo muito semelhante ao que temos hoje, quando se leva em conta os vários níveis pelos quais as crianças passam até completar o ciclo do ensino básico.

Trazendo conceitos de educação a partir de dicionários e da legislação afim (Lei 4024 de 20 de dezembro de 1961), ele conclui que educação, do ponto de vista da legislação, não encontra eco na prática. Tem sido mais idealizada e ideológica do que prática. O discurso difere da prática. Os direitos elencados na legislação não têm sido observados, ou, quando observados, não recebem a devida importância.

Discute a educação como uma prática social atrelada a exigências, princípios e controles sociais. Que apesar das conceituações apresentarem os fins da educação como o desenvolvimento de competências individuais, na prática, visa a atender as demandas da vida em sociedade.

Lançando mão de ideias de pensadores como Durkheim, ele argumenta que os sistemas de educação são impostos aos indivíduos e não existe uma espécie de educação universal nesse contexto. Questiona: “Não existirão classes sociais capazes de impor uma educação (...) para seu próprio benefício?”. Posicionando-se contra a verdade contida nesse questionamento, ele defende que, a educação, para mudança que a dinâmica social requer, deve ser despida de dogmatismos. Tem que haver o espaço para a dialética. 

Apresenta a educação como um instrumento/meio de mudanças sociais, todavia, ele assegura que, enquanto a educação for determinada pela “estrutura” dominante, essa mudança dificilmente ocorrerá; a isto ele chama de “utopismo pedagógico”. Para ele a educação deve ser pensada e programada. 

Também chama a atenção para palavras e expressões como: “investimento”, “mão-de-obra”, “preparação para o mercado de trabalho”, que permeiam as concepções correntes sobre educação, como sendo a expressão de interesses político-econômicos.

Dessa forma, reafirma o uso, pela elite dominante, do aparato pedagógico, para atender a seus próprios interesses, apesar do discurso de democratização e socialização do ensino. Dessa forma, esse modelo que aí está reproduz e consagra a desigualdade social.

Por fim, o autor retoma a ideia de que a educação está em todo lugar e tem suas regras próprias de aquisição e repasse do conhecimento para outras gerações, seu poder de adaptação às mudanças constantes da dinâmica social e seu valor para os que a vivenciam, contrapondo-a a ideia de um espaço físico limitado chamado “Escola”, com suas regras, princípios e finalidades impostos, e que não consegue acompanhar a dinâmica da vida social, por isto mesmo rejeitada, resistida e suportada. Apesar de tudo o autor afirma sua esperança na educação, principalmente pelo fato de ser ela inevitável.

É interessante notarmos como os argumentos, as queixas, as denúncias de Brandão, continuam bem atuais, apesar do tempo decorrido desde a publicação do seu trabalho.

É curioso perceber como o tratamento desrespeitoso aos professores das “primeiras letras” tem sido perpetuado por nossa sociedade. Na Grécia antiga eles eram considerados “desprezíveis” mestres-escola, hoje são os seus salários baixos e a pouca importância que lhes é atribuída  que ecoam essa expressão pejorativa.

Em consonância com o pensamento de Brandão, entendo que um dos grandes equívocos na educação brasileira é a falta de política de Estado nessa área. Isto implica que, bons e eficazes projetos iniciados em um governo, ou perdem o “fôlego” paulatinamente, ou são golpeados definitivamente assim que o próximo governo assume.

Além disso, comete-se o erro de se implementar projetos ou políticas educacionais sem levar em conta as grandes diferenças regionais e culturais de um país com as dimensões que tem o Brasil. Portanto, pode-se concluir que a educação no Brasil não tem sido pensada, planejada e programada de forma apropriada.

Acredito ainda, que, apesar do panorama crítico da educação, no que diz respeito à sua imposição como um produto acabado, e que deve tão somente ser posto em prática, começa, ainda que de forma tímida, a ser mudado.

Um exemplo dessa mudança é a concepção de “Gestão Democrática” que tem sido até tema de dissertações e teses. Por outro lado, nem os próprios educadores nem os pais dos alunos e demais funcionários estão acostumados a essas novas visão e postura. A centralização e rígida hierarquia do nosso sistema de governo ainda é uma influência muito forte em nossa maneira de pensar.

Certamente, esse movimento no sentido da democratização e melhoria da qualidade do ensino no Brasil só tem sido possível devido às vozes que têm se levantado para denunciar esse domínio político-financeiro, a exemplo de trabalhos como este de Brandão. 



REFERÊNCIAS E CRÉDITOS

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação? São Paulo: Brasiliense, 1984 (Resenha).

Fonte da Foto ilustrativa 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Cultura Organizacional e Aprendizagem: como avaliar?

De acordo com Stephen Gill, para se verificar e avaliar se uma companhia ou empresa apresenta uma cultura de aprendizagem efetiva deve-se procurar responder aos seguintes questionamentos:

1 Os líderes estão compartilhando a importância do aprendizado (aquisição de novos conhecimentos, habilidades e capacidades) e mantendo os gestores responsáveis pela aprendizagem e aplicando essa aprendizagem para fazer a diferença na organização?
2 Os líderes estão auxiliando seus subordinados diretos a criar um plano de aprendizagem individualizado ligado aos objetivos estratégicos da organização?
3 Os gestores estão monitorando o progresso do aprendizado e provendo feedback, criando oportunidades para a aplicação do aprendizado no trabalho e mantendo os subordinados responsáveis pelos resultados?
4 Os gestores estão treinando e atuando em parceria com seus subordinados para desenvolver suas capacidades e atingir os objetivos da organização?
5 Os líderes são mentores, usando sua experiência para aconselhar empregados novos e menos experientes  em como realizar as funções a eles atribuída no trabalho?
6 No recrutamento, contratação e ambientação dos novos empregados, o aprendizado é parte das conversas, a aprendizagem é encarada como um valor organizacional e as expectativas do aprendizado e desenvolvimento do empregado são discutidas durante a fase de recrutamento?
7 Os empregados conseguem perceber como seu aprendizado está alinhado com os objetivos estratégicos da organização, entendendo como a aquisição de certos conhecimentos e habilidades irão ajudar a organização a ser bem-sucedida e está clara a relação aprendizagem-resultados?
8 Existe uma grande variedade de métodos formal e informal, hi-tech e hi-touch sendo utilizada para facilitar a aprendizagem e os métodos utilizados são determinados pelos resultados pretendidos pela organização?
9 As expectativas de aprendizagem dos empregados são discutidas com eles, informando-lhes o que precisam aprender e porque precisam aprendê-lo, que critérios serão utilizados para monitorar o progresso e verificar os resultados, bem como são comunicadas expectativas elevadas?
10 O aprendizado é aplicado em toda a organização para um contínuo melhoramento de sua atuação e alcance dos objetivos estratégicos?
O autor conclui observando que estas são as principais perguntas, mas não as únicas e que é importante considerar que elas devem ser utilizadas como uma ferramenta de aprendizagem e não de reprovação. 

CRÉDITOS




sábado, 16 de maio de 2015

O que é filosofia?

Fonte
Entendo que a filosofia está presente nas mais diversas áreas do conhecimento humano, dando consideráveis contribuições para o seu desenvolvimento. 

Por esta razão, discuto neste texto algumas opiniões pessoais, com base em minhas percepções acerca do tema; portanto, é apenas um exercício de reflexão.

Filosofia é uma ciência que nasceu da inquietação do espírito humano com relação a uma série de questionamentos sobre a vida, sendo os mais conhecidos ou popularizados as perguntas: "Quem sou?"; "O que estou fazendo aqui?"; e "Para onde vou?", em outras palavras, qual o sentido da vida?

Ela consiste, portanto, no exercício especulativo do intelecto humano no afã de responder a esses e tantos outros questionamentos relativos à vida em comunidade e aos mais complexos relacionamentos humanos. Essa amplitude do objeto da filosofia permite que ela produza em campos que vão desde a educação à política.

No entanto, a filosofia não produz respostas definitivas, por esta razão, os mesmos questionamentos atravessam o tempo de geração para geração, surgindo pensadores que, ou aproveitam o que foi produzido por seus antecessores, aperfeiçoando-o, ou rejeitando-o; apresentando refutações propondo suas próprias ideias.

Esse processo acontece porque a filosofia não é dogmática, estando aberta ao diálogo, às argumentações e contra-argumentações, considerando a concepção de que não há, via de regra, uma verdade absoluta sobre quaisquer temas.

O exercício filosófico, apoiado em rigoroso raciocínio lógico, desenvolve o senso crítico, de tal forma que o óbvio torna-se insatisfatório para responder às inquietações do intelecto humano, que passa a, naturalmente, problematizá-lo em um processo contínuo.

Por fim, é possível dizer, com base na etimologia da palavra, que a filosofia é a busca apaixonada pelo conhecimento em si, ou seja, pelo crescimento espiritual trazido pelo conhecimento adquirido e construído.

Se alguém questiona a utilidade da filosofia, pode-se responder com as palavras de Aristóteles:

“[...] foi para fugir à ignorância que filosofaram, claro está que procuraram a ciência pelo desejo de conhecer, e não em vista de qualquer utilidade.” (Livro II, p. 14).

ARISTÓTELES. Metafísica Livro I, Cap. 1 e 2. São Paulo: Abril S.A. Cultural, 1984. Tradução direta do grego por Vincenzo Cocco e notas de Joaquim de Carvalho.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Respeitando os limites cognitivos das crianças

Fonte
Piaget (1896 - 1980), Vigotisky (1896 - 1934), Carl Rogers (1902 - 1987), dentre outros pesquisadores da área de psicologia deram contribuições inestimáveis nesse campo do conhecimento humano. Suas teorias têm sido amplamente aplicadas à educação ao longo dos anos. Embora com focos diferentes e até mesmo algumas conclusões divergentes, é possível considerar seus estudos complementares entre si. Todos, no entanto, concordam no que o “senso comum” já ensinava: as crianças se desenvolvem obedecendo a fases, não só operativas, mas também cognitivas. Há operações cognitivas e operativas, por exemplo, que crianças de uma determinada faixa etária não conseguem dar conta, não porque sejam menos inteligentes do que outras, mas porque seu desenvolvimento psíquico e motor não atingiu ainda o estágio necessário para aquela determinada habilidade. Portanto, não se deve forçá-las a aprender coisas para as quais não estão preparadas, simples assim.

Infelizmente, muitos pais e professores, no afã de transformar seus filhos e alunos em pequenos gênios ou de “melhor prepará-los” para as demandas da sociedade moderna, acabam por atropelar essas fases e desprezar todo o conhecimento produzido nessa área a partir de estudos científicos sérios e competentes, trazendo-lhes sérios danos psicológicos e uma relação não muito amigável com os estudos, porque lhes impõe um estresse desnecessário e contraproducente.

Nos Estados Unidos, por exemplo, atualmente há uma acirrada discussão, com fortes críticas à inadequação do Currículo Oficial Padrão[1] para o ensino de crianças da educação infantil[2] que as escolas, sobretudo as públicas, são obrigadas a adotar. Essas diretrizes curriculares foram elaboradas, conforme críticas, por pessoal não especializado na área e sem a participação dos operadores da educação com o objetivo de, já nas séries iniciais, desenvolver competências úteis para sua vida acadêmica futura, conforme acreditam. A partir dessa perspectiva, elevaram tanto a complexidade das habilidades esperadas dessas crianças, que tem gerado uma verdadeira revolta nos pais e professores.

Por essa razão, o BostonParentsPaper em um artigo intitulado “O Currículo Oficial Padrão tem levado nossas crianças ao fracasso escolar?”[3] sustenta que esse currículo é incompatível com o desenvolvimento das crianças, pelas razões a seguir apresentadas e que servem para nossa reflexão quando se trata de planejar o ensino para crianças:

1. Possui um padrão muito elevado para a faixa etária alvo, pois foi elaborado com base no que é requerido no Ensino Médio. Isso tem resultado em padrões inadequados à maneira como as crianças se desenvolvem, pensam ou aprendem. Com frequência, requer-se que aprendam fatos e desenvolvam habilidades para as quais não estão preparadas. Como resultado, as diversas necessidades da criança, como um todo, são, frequentemente, desconsideradas – especialmente o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico, que acontece a partir de experiências diretas nas atividades práticas, aulas de arte, de música, dentre outras. Essas atividades constroem os fundamentos essenciais que as crianças necessitam, mais tarde, para o aprendizado efetivo de habilidades acadêmicas.

2. Assume, erroneamente, que todas as crianças se desenvolvem e aprendem no mesmo ritmo e da mesma forma. O currículo “Modelo Padrão para Todos” falha em reconhecer que cada criança percebe e aborda o mundo de diferentes formas: com frequência, elas pegam caminhos diferentes para chegar ao mesmo lugar. Por exemplo, a idade média em que as crianças começam a andar é de doze meses, porém, algumas crianças começam a andar aos nove e outras não conseguem até os quinze – o que é considerado normal. No entanto, pessoas que aprendem a andar cedo não andam melhor do que as que aprendem mais tarde.

3. Sua avaliação é feita usando-se, com muita frequência, instrumentos inapropriados. Exige-se dos estados, por exemplo, que utilizem testes em computador. Isso tem levado ao uso obrigatório desse equipamento em uma idade precoce, e à má relocação de fundos para a compra desses equipamentos e para a infraestrutura de internet  necessária nas escolas.  A avaliação de crianças deveria ser informal e levar em conta a natureza ampla em que está baseado seu aprendizado e não em competências isoladas, bem como a variação natural de seu desenvolvimento em todas as áreas de seu crescimento e desenvolvimento.

4. Foi elaborado sem a participação de professores e educadores dessa faixa etária. Quando o currículo foi lançando pela primeira vez, mais de 500 profissionais da educação infantil apresentaram um abaixo assinado se opondo a ele, argumentando que demandaria longas horas de instrução direta e a utilização de mais testes-padrão, esvaziando atividades importantes e aprendizado baseado em jogos.

5. Carece de fundamentação teórica, pois não foi elaborado a partir de estudos conhecidos e de longo prazo sobre o desenvolvimento infantil. Não existem pesquisas convincentes mostrando que determinadas competências ou determinados conhecimentos, tais como contar até cem no jardim de infância levam ao sucesso escolar, mais tarde. Não existem pesquisas de como treinar eficazmente os professores para implementarem o Currículo. Além do mais, não foi realizado um teste-piloto e não há sinais de pesquisas em andamento ou revisão de seu impacto nas crianças e na educação infantil.

6. Não considera as necessidades das crianças da atualidade. Elas aprendem melhor quando seu cognitivo, social, emocional e físico estão engajados no processo de aprendizagem. Trabalhos manuais, atividades baseadas em jogos com materiais que podem ser utilizados de múltiplas formas, engajam a criança, como um todo, na solução de problemas. Um currículo focado em padrões e objetivos acadêmicos discretos, como o que se vê nas escolas hoje, compartimentam o aprendizado, de forma que não atendem às demandas do aprendizado infantil.

Muitas crianças de hoje são superexposta a equipamentos eletrônicos e telas de computador e superatarefadas, de tal forma, que lhes falta oportunidade para atividades livres e não programadas, especialmente brincadeiras externas, na natureza. Essa redução na qualidade do momento de diversão tem resultado em deficiências em muitas habilidades fundamentais essenciais, que são desenvolvidas através de brincadeiras, tais como: processos mentais, autocontrole, persistência, criatividade, solução de problemas, e flexibilidade. Portanto, para desenvolver uma base sólida que permita um melhor aprendizado mais tarde, a qualidade das experiências de jogos, brincadeiras em tenra idade e professores que sejam facilitadores qualificados para conduzir essas atividades são necessários hoje mais que nunca.

Para suprir essa carência há algumas dicas para os pais seguirem:

  • Disponibilize espaço e tempo para que as crianças brinquem em casa e na vizinhança, sem telas (de computadores);
  • Leia livros infantis de qualidade e limite o tempo de exposição ao computador;
  • Evite reforçar a agenda da escola com muitos exercícios, substituindo-os com oportunidade de aprendizagem significativa.


Fica uma reflexão: 


Se nos EUA a preocupação é com o nível elevado e até incoerente do Currículo Oficial para as crianças, apontado como um grande complicador e mesmo responsável pelo fracasso escolar, o que dizer do Brasil? Quanto a isso, a lista de perguntas é enorme, por exemplo: o que há de errado no ensino em nossas escolas, não só públicas como também da rede privada, que tem resultado, a cada ano, em um número tão elevado de analfabetos funcionais? Será que nossos currículos apresentam um padrão tão elevado que não pode ser acompanhado pelas crianças e adolescentes? Seria o despreparo e/ou sobrecarga dos professores? Nesse sentido, sabe-se que um grande número necessita dar aulas em várias escolas para ter um salário que atenda suas necessidades. Seria a superlotação das salas? 







[1] “Common Core State Standard”
[2] Kindergarten

sábado, 22 de março de 2014

Psicologia do Desenvolvimento

"O que interessa à Psicologia do Desenvolvimento são as mudanças de comportamento que ocorrem não em função do tempo, mas em função de processos intra-organísmicos e de eventos ambientais que ocorrem dentro de uma determinada faixa de tempo."[1]

"[...] não se esperaria mudança alguma de comportamento  se todas as variáveis, menos idade, fossem constantes  pois o que pode causar mudança [no indivíduo] não é a simples passagem do tempo, mas o que acontece durante este período de tempo".[2] 



[1] BIAGGIO, Angela M. Brasil. Psicologia do desenvolvimento. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1977, (p. 21 - 22)
[2] Idem, p. 25

sábado, 1 de março de 2014

Novas tecnologias digitais e a transformação do ambiente de aprendizagem

"O mundo em transformação vai tecendo as redes de significações. Novos conceitos, preconceitos, metáforas, comportamentos, emoções e pensamentos surgem a cada nova experiência de vida. Mas, a Educação ainda está aquém da onda contemporânea do conhecimento e tem utilizado muito pouco os veículos disponíveis a serviço da construção do conhecimento e da formação das pessoas. É preciso conhecer e avaliar a onda digital para saber lidar e até confrontar as transformações de pensamento, comportamentos, regras sociais e atitudes que estão se formando e podem educar ou deseducar o ser humano na atual sociedade da informação." (DELCIN, 2005, p. 58).

DELCIN, R.C.A. A metamorfose da sala de aula para o ciberespaço. In: ASSMANN, H. (org.) Redes digitais e metamorfose do aprender. Petrópolis: Vozes, 2005

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Os Direitos Humanos na ótica do Hamas

Por Khaled Abu Toameh

A oportunidade de aprender sobre direitos humanos tem sido negada às crianças de escolas primárias palestinas na Faixa de Gaza, depois que o governo do Hamas declarou que tal disciplina “contraria perigosamente a cultura palestina e Islâmica”.

A declaração do Hamas veio em resposta à tentativa da United Nations Relief and Works Agency (UNRWA) em incluir um curso sobre direitos humanos nas escolas administradas pela agência na Faixa de Gaza.

A UNRWA tem sido fortemente condenada pelo governo Hamas, cujos representantes acusam a agência internacional de tentar fazer [que ironia!] uma “lavagem mental” nas crianças Palestinas.

Mutasame al-Minawi, oficial veterano no Ministério da Educação do governo do Hamas, explica que a principal razão porque seu governo se opôs ao ensino dos  direitos humanos nas escolas palestinas é que essa disciplina “ignora a nakba [catástrofe] do povo palestino, nega-lhes o direito de retorno [para Israel] dos refugiados palestinos e promove a cultura de resistência pacífica e de submissão como um caminho para restaurar nossos direitos.”

Al-Minawi disse que, dois anos atrás, a UNRWA propôs incluir nos currículos de suas escolas a disciplina de direitos humanos, que seria ensinada a crianças do 7º ao 9º  ano.

De acordo com o oficial do Hamas, seu governo, à época, expressou reservas quanto a alguns conteúdos da disciplina, exigindo que a UNRWA reformulasse 40% do material.

Mas, recentemente, a UNRWA decidiu ir em frente com seus planos de ensinar os direitos humanos nas escolas da Faixa de Gaza, ignorando os avisos do governo do Hamas, al-Minawi protestou.  “A UNRWA está agindo como sendo um Estado dentro de outro Estado”, disse ele. “Eles têm que saber os limites de seu poder e que eles estão comprometidos com o currículo ensinado nas áreas sob jurisdição da UNRWA.”

O oficial do Hamas disse que o curso de direitos humanos da UNRWA foi criado para desenvolver nas crianças palestinas “sentimentos negativos com relação à resistência armada, mesmo ela sendo legítima para um povo sob ocupação.”

O que também tem preocupado o Hamas é que a UNRWA procura ensinar às crianças palestinas sobre as repercussões desastrosas das guerras e da violência, mostrando uma criança queimando um uniforme militar. “Isto não serve à causa dos direitos humanos”, disse o oficial do Hamas. “Eles querem criar crianças passivas”.

Os protestos do Hamas forçaram a UNRWA a suspender seu plano de ensinar a disciplina de direitos humanos em suas escolas. Alguns palestinos criticaram a UNRWA por “sucumbir” às ameaças do Hamas, enquanto outros disseram que tinham a consciência de que a agência internacional não tinha escolha a não ser cumprir.

Em uma tentativa de acalmar o Hamas, a UNRWA negou que o currículo de suas escolas  contrariavam a tradição e cultura palestina. Um porta-voz da UNRWA disse que sua agência considerou “todos os aspectos da sociedade palestina” em seu curso de direitos humanos.

O verdadeiro problema do Hamas com o currículo da UNRWA consiste no fato de que ele pode estragar os esforços do movimento Islâmico de instigar os corações e mentes das crianças palestinas à guerra santa (jihad) contra os “inimigos” do Islam. O Hamas quer que as crianças palestinas sejam ensinadas a se tornarem homens-bomba e procurar a morte de judeus e “infiéis”.

O Hamas não quer que as crianças palestinas aprendam sobre os heróis dos direitos sociais, como Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King e Rosa Parks. Essas pessoas se opuseram à violência e, portanto, à sua ideologia. De acordo com o Hamas, isto é uma violação da cultura palestina e Islâmica.

O desejo do Hamas é que as crianças glorifiquem homens-bomba e terroristas que, sem misericórdia matam pessoas inocentes, incluindo muitos mulçumanos, diariamente. Os Summer Camps (colônias de férias) do Hamas não são outra coisa que local de treinamento de crianças no uso de armas e na instilação do ódio contra Israel e os Estados Unidos.

"Nós nunca reconheceremos Israel!"
Crianças palestinas em uma colônia de férias do Hamas, em junho de 2013. 
O colunista palestino Hassan Khader escreveu: “O Hamas está atuando na Faixa de Gaza como se fosse um Estado independente”,
Khader também criticou facções publicas e políticas por falhar em dar a necessária atenção à controvérsia entre o Hamas e a UNRWA, sobre o assunto do currículo escolar.

Por enquanto, parece que o Hamas está tendo sucesso em impedir a UNRWA de ensinar as crianças palestinas sobre direitos humanos. Os dois lados estão negociando um fim para a crise, que não parece provável, a menos que a UNRWA junte-se oficialmente à ideologia do Hamas e comece a pregar a jihad e o anti-semitismo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dicas para implementar mudanças em sua organização

créditos
Na qualidade de gerente você pode mudar as políticas de sua organização com apenas uma “canetada”. Você pode ter a capacidade de contratar, demitir, promover, despromover as pessoas relativamente com pouco esforço. Mas mudar uma cultura arraigada, é o pior desafio que você vai enfrentar. Para fazê-lo, você deve conquistar os corações e as mentes das pessoas com quem você  trabalha, o que demanda tanto astúcia quanto persuasão.

W. Chan Kim e Renee Mauborgne citam quatro obstáculos que um gestor enfrenta ao tentar implementar mudanças em uma organização, a saber:

1. Cognitivo – as pessoas precisam entender  a razão para as mudanças de estratégia ou na cultura da organização;

2. Limitação de recursos – inevitavelmente, mudar uma organização vai requerer remanejamento de recursos de uma área para outra;

3. Motivação – em última análise, os funcionários precisam querer a mudança;

4. Políticas da instituição.

Eles dão algumas dicas para superar esses obstáculos:

1. Reconhecer que você não será capaz de “converter” todos de uma só vez. Comece com pessoas que têm diferentes influências na organização. Convença-as a se comprometerem com a mudança. Uma vez que elas estão comprometidas a mudar, destaque suas conquistas, dessa forma, os outros entenderão a mensagem.

2.  Ao invés de apenas falar sobre a necessidade de mudança, procure formas de levar as pessoas a  “sentirem na pele” a dura realidade que justifica a necessidade da mudança.

3. Busque formas de remanejar recursos para os “hot spots”, ou seja, para as atividades que requerem poucos recursos mas que resultam em ampla mudança – retirando-os dos “cold spots”, ou seja, áreas que demandam muitos recursos, mas relativamente de pouco impacto.

Finalmente, Kim e Mauborgne defendem a designação de um “conselheiro” – alguém de alta confiança dentro da instituição, que sabe quem está contra você, quem está lhe apoiando, e o que você precisa fazer para construir coalizões e conceber estratégias para a mudança. Todos os líderes correm o risco de perder o contato com o que realmente está acontecendo abaixo deles. Um bom conselheiro pode ajudar bastante na solução desse problema.

Outras idéias:

créditos
1 Se você quer estimular a criatividade no local de trabalho, avalie a estrutura do pessoal de sua Instituição. Os gestores “tocam” apenas em uma pequena porção da capacidade criativa de seus cooperadores.

2. Identifique os pontos fortes de seus cooperadores e considere a criação de novas equipes com diversidade de talentos. Se você tem um projeto, crie uma força-tarefa. Misture cooperadores com diferentes níveis de experiência: membros jovens da equipe podem contribuir com energia e otimismo, e os veteranos com os “insights” de suas experiências. Se quiser uma renovação de brainstorming, considere a criação de uma “área-verde” em uma sala, ou um jardim externo, onde os funcionários possam gastar uma hora por semana com nada mais do que lápis e papel na mão.

3. Encoraje inovação por meio de uma cultura igualitária, horários flexíveis, alguns encontros e equipes de projeto interdisciplinar. Os empregados querem sentir que se confia neles. Uma das formas de implementar essa confiança é permitindo-lhes que trabalhem em casa algumas vezes.

4. Outras vezes, apenas mudando a disposição dos móveis do local de trabalho já ajuda a estimular a inovação. Para encorajar o trabalho em equipe, elimine a aparência de locais privados no escritório, levando-os a trabalhar mais próximos para permitir a comunicação. Considere utilizar o espaço extra para criar espaços de lazer, como “sala de descanso” ou um local para malhar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cuidados ao recompensar cooperadores

Quando você oferece recompensas, tenha em mente que:


Créditos
1 Os funcionários não querem esmolas e odeiam favoritismo.
2 Não dê reconhecimento quando ninguém merece. 
3 Não dê só para ser legal ou esperando que as pessoas venham a gostar mais de você. 
4 Recompense-os pelo desempenho que ajudou vocês a obterem êxito mútuo.
5 Desvalorizar o incentivo não só desvaloriza o funcionário que o recebeu, como também faz você perder credibilidade aos olhos dos outros funcionários.Confiança e credibilidade são duas das mais importantes qualidades que você pode adquirir em seu relacionamento com os funcionários; se você perde essas qualidades, corre o risco de perder os funcionários.

Extraído de Gerenciamento para Leigos. Bob Nelson, PhD e Peter Economy. Alta Books Editora. Rio de Janeiro (2010, p. 93) 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Educação em Primeiro Lugar



Por muito tempo, a causa da educação universal foi colocada em segundo plano em relação a outros movimentos internacionais por mudança. Agora, por duas novas razões que estão no coração do lançamento do programa “Education First” (Educação em Primeiro Lugar) de iniciativa do Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, a educação retornou ao topo do seu lugar de direito na agenda política global.

A primeira e principal razão é que os próprios jovens têm se tornado os maiores defensores de uma educação universal para meninas e meninos. Recusando-se ficar calados diante da negação de oportunidade, os jovens – particularmente as garotas – lançaram uma das grandes lutas por direitos civis de nosso tempo. 

Poucos poderiam ficar imóveis diante da brava luta da jovem paquistanesa Malala Yousafzai, depois que o Taliban atirou em sua cabeça porque ela insistia no direito de jovens garotas por educação. Poucos deixaram de notar a manifestação pública massiva em apoio no Paquistão e em outros lugares favoráveis à causa pela qual ela está lutando.  

Da mesma forma, temos também visto em meses recentes a criação por alunas em Bangladesh de zonas de crianças livres de casamento, com o objetivo de defender os direitos de garotas permanecerem na escola ao invés de se casarem contra sua vontade. Na Índia, a Global March Against Child Labor (Marcha Global contra o Trabalho Infantil), liderada pela defensora dos direitos das crianças Kailash Satyarthi, resgatou milhares de jovens garotos e garotas de uma vida de escravidão em fábricas, oficinas, e serviço doméstico, e tem assegurado seu retorno à escola.

Essas manifestações por garotos e garotas exigindo seu direito por educação tem tornado a luta pela escolaridade básica impossível de se ignorar. Consequentemente, todo governo agora se sente sob pressão ainda maior para colocar em prática as Metas do Millennium Development Goals (Metas do Milênio para o desenvolvimento global) (“alcançar a universalidade da educação primária”) até o fim do ano de 2015.  

Mas uma segunda força mundial também tem impulsionado a educação para o centro da agenda política da maioria dos países: o aumento do reconhecimento da importância dado a educação por aqueles que analisam a razão de os países serem bem sucedidos ou não. Por anos, acadêmicos têm debatido se cultura, instituições, ideologia, ou recursos levam alguns países a ficar para trás. Hoje, um número crescente de escritores, pesquisadores, e responsáveis pela criação de políticas vêem uma ligação crucial entre educação e sucesso econômico de um país.

O emprego do capital humano tem se tornado um fator importante para explicar porque alguns países continuam emperrados em uma “armadilha de renda média” e porque outros não conseguem romper o status de baixa renda. E pesquisas que avaliam o capital humano de um país têm seu foco na quantidade e qualidade das habilidades básicas, mão de obra especializada, e domínio em pesquisa e desenvolvimento.

Colocar a educação em primeiro lugar é urgente diante da quantidade de talento e potencial desperdiçado em todo o mundo. Em torno de 57 milhões de crianças ainda não vão a escola, 500 milhões de garotas nunca concluirão a educação secundária, e 750 milhões de adultos continuam analfabetos. 

A relação entre educação e sucesso econômico torna o investimento em escolaridade e treinamento uma questão altamente importante para os negócios também. Em 2020, de acordo com o Instituto Global McKinsey, enfrentaremos os twin problems  (problema duplo) de um déficit de até 40 milhões de trabalhadores com altas habilidades e um excedente de até 95 milhões de trabalhadores com baixas habilidades. Em 2030, a mão de obra global de 3,5 milhões incluirá um número estimado de um bilhão de trabalhadores sem a educação secundária, prejudicando significativamente as perspectivas econômicas de seus países. 

Como resultado, sem uma intervenção urgente, os negócios possivelmente enfrentarão um enorme escassez de competências, especialmente nos mercados emergentes e países em desenvolvimento, onde a maior parte das atividades econômicas estarão concentradas. De fato, a taxa de analfabetismo adulto na Somália é de 63% e de 39% na Nigéria; no Suldão do Sul, mais garotas morrem durante o parto do que completam a educação primária.

A menos que atuemos, em meados deste século a economia global será caracterizada por uma enorme perda de talento e desigualdade de oportunidades. De acordo com os novos números do próximo livro do Wittgenstein Center’s (Centro Wittgenstein) World Population and Human Capital in the 21st Century (População Mundial e Capital Humano no 21º Século), projeta-se que apenas 3% dos adultos jovens no Mali e em Moçambique terão educação superior em 2050; a proporção esperada para a Nigéria, Libéria, Ruanda, e Chade é de 4%, e apenas 5% no Malawi e Madagascar. Enquanto a projeção para a América do Norte como um todo é de 60%, a previsão para a África-subsaariana é de 16%.

Esses números revelam um mundo dividido entre os que têm e os que não têm oportunidade de educação, um potencial enorme de repercussão não apenas na escassez de competências e prejuízo econômico, mas também em termos de estabilidade social. As palavras de Earl Waren, ex-Chefe da Suprema Corte de Justiça dos Estados Unidos, em Brown v. Board of Education (Brown versus Conselho de Educação), que detonou a base legal da segregação racial nas escolas públicas Américas, permanecem relevantes hoje: “É duvidoso esperar-se, razoavelmente, que qualquer criança possa ser bem sucedida na vida se lhe for negada a oportunidade de educação”. Como Waren coloca: “Tal oportunidade [...] é um direito que deve ser colocado à disposição para todos em iguais condições”.

Temos pouco mais de dois anos para tornar a educação básica, de um privilégio de alguns para um direito de todos. O Secretário Geral Ban e eu estamos determinados que todos os dias, até a data final de dezembro de 2015, nós trabalharemos duro o quanto for necessário para assegurar que toda criança esteja na escola.

Texto original entitulado Putting Education First, de autoria de Gordon Brown, postado em 15/11/2013. 

Nota:
Considerando as peculiaridades culturais, geográficas e econômicas dos diversos países do mundo, não precisa muito esforço especulativo para concluir que essa meta não será alcançada dentro do prazo estabelecido. Como sempre, a temática da educação é muito rica no discurso, chegando às vezes às raias da utopia. Na prática a realidade apresenta um abismo enorme. Mas vamos continuar acreditando que paulatinamente a educação de qualidade e para todos seja uma realidade em todas as nações.